quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

cópula

Dois corpos nus. A cama macia e pequena, esmagada pelo peso desajeitado de dois.
Caio e Amanda pareciam a vontade. Antes de deitarem esvaziaram uma garrafa de cerveja importada no quarto, ouviram o cd de Milton Nascimento, riram e esquivaram-se de quaisquer formalidades. Quando Caio apareceu desnudo no quarto iluminado apenas pelas luzes da rua, após uma breve retirada, Amanda já estava posta só de calcinha na cama. Antes de se juntar a quem já o esperava deitado, Caio se encostou na janela e deu um único trago de cigarro. A janela do quarto, no segundo andar do apartamento de Caio, dava para os fundos de uma casa simples e silenciosa, apesar dos hábitos noturnos de seus moradores.
Caio pensou:
Será que ela gosta de Milton Nascimento? Agora já foi, deixa rolar. Não consigo ver o corpo dela direito...mas seus olhos brilham, linda! Sua pele é tão macia, espero que não perceba minhas mãos ásperas. Como tocar essa mulher, começo onde?
Amanda pensou:
Nossa, que vergonha. Por que não deixei pra outro dia?? Ainda bem que ele não acendeu a luz. Essa música não tem nada a ver. Ele é lindo mesmo no escuro, seus olhos brilham! Vou me apaixonar. Gosto do seu cheiro, sua barba...onde começo a tocar?
Sem notarem, seus corpos se entrelaçaram . A primeira copulação era desconcertante para ambos. Haviam acabado de se conhecer num barzinho da esquina e poucas horas depois estavam em uma situação pretensiosamente carnal. Um começo natural, para um homem e uma mulher simultaneamente atraídos.
Os corpos se encontravam, se perdiam, a intimidade timidamente estava em construção. Suas mãos deslizavam nas costas, coxas, pêlos... Caio com sua máscula segurança se apoiava nas vivências passadas e tomava a frente. Amanda consultava suas remotas experiências românticas, se valia das sensações. A cópula aconteceu lentamente até um gozo inesperado dar partida a outro e glorificar a transação, o acaso dos prazeres inesperados.
Os dois caminharam nus até a janela, fumaram o último cigarro e admiraram a mulher batendo o tapete no quintal.

Um comentário:

  1. Sua maneira especial de descrever o cotidiano com delicadeza não tem preço.

    Beijo grande

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