sábado, 5 de junho de 2010

silêncio


" O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar" Josh Billings

não quero ouvir minha voz hoje
quero ficar ficar com o silêncio da tua companhia
ouvir o som da tua fala muda
deixar tua sandália perto do meu tênis
teu computador ao lado do meu
tuas músicas e as minhas ao mesmo tempo
o francês e o inglês
baixo o meu som, para você baixar o seu
assim o silêncio fica mais audível
podemos ouvi-lo

o uivo da rua morta, as garrafas já quebradas, os carros diminutos, as pessoas que antes passaram ...

parece que nós dominamos o silêncio da noite
apenas parece

tem um mundo de silêncios no mundo
um tanto de sons apagados

não o inventamos
já existia o silêncio antes que nós o propuséssemos.

"O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura." Aldous Huxley, in: Contraponto, (1928)

azar x sorte

Tudo pra mim é uma questão de olhar, até um pedaço do céu ou do inferno caindo na minha cabeça merece considerações.

Véspera do feriado de Corpus Cristhi andando em direção ao banco decido ir por um caminho que não costumo fazer, sei lá, pra encurtar alguns metros, fugir da rotina e descobrir novas paisagens urbanas do bairro onde moro. Pois bem, entrei na Rua da Glória na Liberdade, ouvi um estrondo e em menos de segundos um objeto acertou em cheio minha cabeça. Minha nossa, não era manga, era um pedaço de uma janela que com o vento forte do fim das tardes invernais em sampa se quebrou, escangalhou, descolou e foi parar certeiro na minha cabeça. Vi estrelhinhas e levei uns segundos para entender. Alguns passantes assustados pararam pra me acudir, e viram que a o pedaço da janela era tipo um acrilico, não era vidro, pra consolar o que me sobrava de sorte. Na minha testa um pouco mínimo de sangue. Um comentário de um dos passantes: - Que absurdo essa cidade! Ainda bem que não foi uma criança!. Pensei, é né, ainda bem que não era uma criança e foi na hora que EU ESTAVA PASSANDO! Mas tudo bem, não foi nada de mais, foi apenas um susto com um toque de azar, sorte, ou banalidade qualquer.
Como tento tirar vantagem de quase tudo, posso me considerar uma mulher muito sortuda. Estava eu passando por aquele local, na exata hora, só poderia ser pra mim aquele entulho voador. Creio que minhas chances de passar por essa experiência novamente sejam ínfimas, quase como encontrar um bolo de notas de cem reais no chão, ou ser o único ganhador da mega-sena da virada. A marquinha que exibo em cima da minha sobrancelha esquerda se mostra vaidosa ao espelho, abençoada pelo destino ou acaso, e com esperanças de ser contemplada da próxima vez com melhores surpresas . Posso ser mais feliz? Ainda tive o cuidado do meu filhote quando de noite tocou cuidosamente minha testa e perguntou: - Mamãe tá doendo? Não tá doendo e acho que nada é por acaso. A sorte parece ter a mesma aparência do azar.

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