segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vanessa Mata

Pegar em flagrante meu marido ouvindo a portas fechadas músicas de Vanessa da Mata foi pior do que, em seguida, descobrir sua conversinha particular, pelo msn, com uma antiga namorada e atual admiradora.
Desgraçado me presenteou com o cd da cantora no meu aniversário, e reclamava sempre quando escutava na sua presença, manifestando seu mal-estar com as canções estridentes e irritantes da cantora, agora espera eu dormir pra ouvir sozinho. Sozinho???
- O que tá acontecendo?
Esbravejei abrindo a porta.
- Oi amor...to aqui terminando o layout.
Respondeu o dito cujo amedrontado.
- Layout o escambal. Que direito tomas de ouvir Amado, e ainda...deixa eu ver? Ah, tinha que ser com essazinha!!! E ainda Vanessinha da Mata fazendo companhia? Que covardia!
- Amorzinho, vai dormir, não é nada disso!
Tomei o teclado e expressei minha indignação com a terceira pessoa que, por falta de tecnologia disponível, não podia ouvir a gritaria.
Olha aqui QUERIDA, você não me conhece e reze para não cruzar meu caminho. Você gosta de Vanessa da Mata? Pois se gosta é melhor mudar de opinião. Você sabia que ela mudou de nome hoje? Pois é, agora se chama Vanessa Mata!!
- Para com isso, não tem nada a ver, ela vai achar que você é louca.
- Louca eeuuu??? Você bem não me conhece, e menos ainda minha relação com Vanessa. Traidor, preferia te pegar curtindo Vanessa Camargo...quer saber? Se você preza por sua integridade, Vanessa da Mata não entra mais nesta casa! Se quiser, vai ouví-la na p..q..p...!!!
O traquino ejetou o cd, na intenção de silenciar a trilha sonora e minimizar meu destempero. Quando ia guardá-lo aproveitei para executar o movimento de samurai que aprendi no filme Karatê Kid. Num único golpe parti Vanessa ao meio.
Cd quebrado, marido quase assassinado, e Maria Carolina elegida top na minha seleção musical, pois se eu pegá-lo ouvindo vou pedir o divórcio sem discussão. Homem que gosta de Maria Carolina nem passa no meu crivo, vai direto passear no Shopping Frei Caneca.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

cópula

Dois corpos nus. A cama macia e pequena, esmagada pelo peso desajeitado de dois.
Caio e Amanda pareciam a vontade. Antes de deitarem esvaziaram uma garrafa de cerveja importada no quarto, ouviram o cd de Milton Nascimento, riram e esquivaram-se de quaisquer formalidades. Quando Caio apareceu desnudo no quarto iluminado apenas pelas luzes da rua, após uma breve retirada, Amanda já estava posta só de calcinha na cama. Antes de se juntar a quem já o esperava deitado, Caio se encostou na janela e deu um único trago de cigarro. A janela do quarto, no segundo andar do apartamento de Caio, dava para os fundos de uma casa simples e silenciosa, apesar dos hábitos noturnos de seus moradores.
Caio pensou:
Será que ela gosta de Milton Nascimento? Agora já foi, deixa rolar. Não consigo ver o corpo dela direito...mas seus olhos brilham, linda! Sua pele é tão macia, espero que não perceba minhas mãos ásperas. Como tocar essa mulher, começo onde?
Amanda pensou:
Nossa, que vergonha. Por que não deixei pra outro dia?? Ainda bem que ele não acendeu a luz. Essa música não tem nada a ver. Ele é lindo mesmo no escuro, seus olhos brilham! Vou me apaixonar. Gosto do seu cheiro, sua barba...onde começo a tocar?
Sem notarem, seus corpos se entrelaçaram . A primeira copulação era desconcertante para ambos. Haviam acabado de se conhecer num barzinho da esquina e poucas horas depois estavam em uma situação pretensiosamente carnal. Um começo natural, para um homem e uma mulher simultaneamente atraídos.
Os corpos se encontravam, se perdiam, a intimidade timidamente estava em construção. Suas mãos deslizavam nas costas, coxas, pêlos... Caio com sua máscula segurança se apoiava nas vivências passadas e tomava a frente. Amanda consultava suas remotas experiências românticas, se valia das sensações. A cópula aconteceu lentamente até um gozo inesperado dar partida a outro e glorificar a transação, o acaso dos prazeres inesperados.
Os dois caminharam nus até a janela, fumaram o último cigarro e admiraram a mulher batendo o tapete no quintal.

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